desviar

Não se pensa na falta de um grande companheiro até que alguma porcaria acontece. Ou, melhor: não se sente o aperto no peito da antecipação da falta até que algum incidente o provoque.

Esta é a natureza humana e é uma grande chatice. De não ser assim, aproveitaríamos melhor cada dia, seríamos mais generosos nos mimos, mais gentis nos gestos.

O nosso cão tem dez anos e é um cão espectacular. Talvez seja isto o que dizem todos os donos que adoram os seus cães; mas como o nosso Buddy (a.k.a Batata) existem poucos. Também o afirmam os que privam com ele no cowork onde trabalho, os vizinhos, a empregada, as crianças da rua. A doçura e a dedicação deste nosso enorme amigo é incomparável.

Este domingo foi atropelado por um carro. Devagarinho. Como se alguém lá de cima nos quisesse fazer um aviso. Partiu um dente, fez um corte na língua e tem uma contusão no pulmão que agora apenas o deixa respirar de forma pausada e o obriga a dormir muito.

Na noite de domingo, depois de o deixar em observação no Hospital Escolar da Faculdade de Medicina Veterinária  (que grande equipa) reinava um enorme aperto no coração da minha casa, um silêncio demasiado grande. Agora dorme aqui, ao pé de mim, a respirar com barulho.

Tomámos consciência da realidade de uma finitude que não queremos que aconteça.

Redobremos os mimos e carinho. Redobremos os mimos e carinho. Redobremos os mimos e carinho.

É a única coisa que podemos fazer para desviar as atenções do outro lado da vida.

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(A fotografia, maravilhosa, é do Tiago Figueiredo.)

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it’s called

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É isto mesmo. Neste momento, cá em casa, o software mais recente alterna entre Flores (Afonso Cruz), Elon Musk, e o velhinho mas eternamente sábio Astérix.

E ainda há tanto por descobrir nas prateleiras. Venham elas, todas, as deste mundo e do outro.

quem?

Como se explica a uma criança o terrorismo sobre Paris? Não se esconde, não se pode esconder, as notícias estão por todo o lado a toda a hora, e mesmo do ponto de vista moral, é necessário explicar.

Mas, como se explica? O que se responde quando uma pessoa de seis anos nos pergunta a razão de alguém querer matar outrem que não conhece, muitos que não conhece? O ponto de vista das crianças, regra geral, é simples: matam-se os maus, ou os maus, porque são maus, matam os bons, bons esses que reconhecem, apontam e identificam, distinguindo-os dos-que-não-o-são; na mente das crianças, a maldade e a bondade têm caras, nomes, símbolos, não são gente indistinta e desconhecida, gente que passeia com carrinhos de bebés ou janta numa esplanada, contra a qual não há nada de concreto: não têm um planeta que interesse, um castelo a conquistar, uma força especial que se queira enegrecer.
Então, quem são os maus e os bons, aqui? Porquê? Seremos nós maus se andarmos na rua errada à hora errada, no sítio errado?

O meu fim de semana foi passado nestes dilemas. Valeram-me os bocadinhos de massa para a nossa tradição das bolachas de Outono, a tertúlia de sábado à noite, as brincadeiras de escola com papéis invertidos.

Ainda assim, as sirenes continuam lá. E a pergunta também: quem são os maus, mãe?

um cavalheiro pequenino

O miúdo tem olhos de vivaço, olhos que ficam mais verdes quando se entusiasma e mais castanhos quando está cansado.

Hoje fez uma aula de natação exemplar; os olhos esverdearam com os elogios do professor e os meus. À saída da piscina, correu para o carro e disse:

Espera mãe, espera!

Abriu a porta do meu lado e, gentilmente, deixou-me entrar. Foi a vez dos meus olhos ficarem mais verdes.

Adoro um cavalheiro pequenino.

daqui a uns micronésimos de tempo

Os dias passam a voar. 

Daqui a uns micronésimos de tempo será Novembro, cumprir-se-ão dois anos nesta casa linda. Dois anos em que ela já viu tanta coisa: objectos que entram e saem, confidências que ficarão para sempre suspensas no ar, sorrisos e gargalhadas presas na superfície macia das paredes, o chão que ainda vibra pelos cantos pela música de alguém, o odor quente dos biscoitos de Outono.

A casa acolhe agora novos momentos e espera. Sabe que há mais sorrisos a subir as escadas, pressente novos pilares de uma vida. Como todas as casas bonitas por fora e por dentro, tem paciência, espera e faz o seu trabalho.

As casas boas são assim: não pedem nada, apenas dão.

rené (trés bonnetête)

Funny French Life In B&W Street Photography By René Maltête

Life is full of candid camera moments, you just need a photographer to be there to capture them. René Maltête based his career on being that man. He took amusing snapshots of French life, sometimes working for simple visual amusement, other times aiming to elicit philosophical thought.

René Maltête was born in 1930 and lived until 2000. He got his first camera when he was sixteen and worked hard to support his art. After he moved to Paris in 1951, he worked with some of photography’s greats while supporting himself through menial labor. altête’s works are now published by his son.

More info: rene.maltete.com (h/t: ufunk)

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