o tapete dos Deuses

A mulher pediu para escrever. E escrever foi-lhe concedido.

A mulher pediu para escrever do avesso e do direito, de todas as cores, de múltiplos sabores, fazer disso a sua vida. Escrever muito foi-lhe concedido.

A mulher sente-se feliz por isso mas sente saudades. Saudades de escrever

Fantasias.

Absurdos.

Histórias.

Muitas.

Ela sabe, contudo. Sabe que esse não é um desejo que se peça, é um desejo que se concretiza e que surge da via directa entre uma estratosfera qualquer, o cérebro, o coração, os arrepios, as insónias e as mãos. Depois basta um teclado. E a bolha. A bolha das horas, das muitas horas de dedicação solitária, absolutamente silenciosa, o espaço mais difícil de conseguir e fazer entender.

Os Deuses são espertos e estão longe de agirem como pais medrosos e protectores. Os Deuses estendem diversos tapetes diante de nós e depois esperam e observam com  paciência milisecular. Nos intervalos do nosso entusiasmo ou desespero, acotovelam-se e comentam: terá ela capacidade para andar?

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