quem?

Como se explica a uma criança o terrorismo sobre Paris? Não se esconde, não se pode esconder, as notícias estão por todo o lado a toda a hora, e mesmo do ponto de vista moral, é necessário explicar.

Mas, como se explica? O que se responde quando uma pessoa de seis anos nos pergunta a razão de alguém querer matar outrem que não conhece, muitos que não conhece? O ponto de vista das crianças, regra geral, é simples: matam-se os maus, ou os maus, porque são maus, matam os bons, bons esses que reconhecem, apontam e identificam, distinguindo-os dos-que-não-o-são; na mente das crianças, a maldade e a bondade têm caras, nomes, símbolos, não são gente indistinta e desconhecida, gente que passeia com carrinhos de bebés ou janta numa esplanada, contra a qual não há nada de concreto: não têm um planeta que interesse, um castelo a conquistar, uma força especial que se queira enegrecer.
Então, quem são os maus e os bons, aqui? Porquê? Seremos nós maus se andarmos na rua errada à hora errada, no sítio errado?

O meu fim de semana foi passado nestes dilemas. Valeram-me os bocadinhos de massa para a nossa tradição das bolachas de Outono, a tertúlia de sábado à noite, as brincadeiras de escola com papéis invertidos.

Ainda assim, as sirenes continuam lá. E a pergunta também: quem são os maus, mãe?

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