crónicas da rua do jardim I (ou o silêncio das buganvílias)

Penso que são duas. Gigantes. Ou talvez três. As pétalas são de dimensões exageradas. Sei que com toda a probabilidade a cor é mais do que uma mas eu recordo sobretudo o rosa, talvez porque entrasse de maneira descarada no quarto dos miúdos e se pousasse sobre os cantos, as mesas, os pés da cama, o topo da cómoda. Eu tentava varrê-lo e sacudi-lo (sem muita firmeza, bem sei, as pétalas, frescas ou secas são tão bonitas), ele tornava, bem mais determinado do que eu.

As buganvílias da Rua do Jardim fazem ruído quando se encostam ao branco das paredes; mas calam-no de seguida com o seu sussurrar de pétalas e ramos embalados pelo vento. As cigarras do Sul bem tentam; e é certo que a determinadas alturas do dia conseguem. Mas quando a tarde cai devagarinho e a brisa se espreguiça da sesta, nada suplanta o marulhar delicado daquelas plantas centenárias com muitas histórias por contar.

Quem me dera ser capaz de perceber.

11831791_10153592675639337_919333311873875930_n

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s