os milímetros

O miúdo mais velho olha para mim com uma expressão que reconheço mas que de súbito não sei nomear. Reparo então na forma como observa as brincadeiras do irmão mais novo. As imagens sucedem-se então em catadupa, consigo juntar o dois-mais-dois e regresso a um passado distante: aquele é o olhar do último dos exames do primeiro ano da Universidade, o olhar de quem desconhecia que seria duro e apenas imaginou a liberdade de ser crescido, o milímetro que separa o último esforço da vontade de desistir.

Como sempre, atiro os foguetes e apanho as canas, sorrindo, embora com o coração de certa maneira apertado pela constatação, a cada dia que passa mais evidente, de um filho enorme, adulto.

No tapete, o mais pequeno, faz naves de Lego e ri por causa de um gaulês que ainda não sabe ler nas palavras mas apenas nos desenhos. Também ele lá chegará. Por isso, não resisto e roubo-lhe um beijo, e ainda um segundo pela decência que se impõe a uma mãe de um homem de quase dezanove anos.

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