venham todas as rugas do riso

Quando os dias são felizes deveríamos ser capazes de guardar cada milímetro, cada partícula ínfima desse prazer como um substrato de alegria ao qual pudéssemos pedir temperança e socorro. Não é uma aprendizagem fácil: o mundo compraz-se das más experiências, torna as benéficas em meros acasos do destino e, a natureza humana em particular, porventura devido a uma certa educação miserabilista, contabiliza a vida de maneira demasiado rápida como a antecipação constante de uma desgraça que, se não existe, certamente lá estará, à espreita. Quem se recusa a pensar ou a viver desssa forma é classificado de ingénuo ou pateta. É um facto: (parafraseando uma grande amiga) é muito mais difícil ser feliz e assumir esse estado; é muito mais condenável, largamente invejado, depreciado e por isso questionado. No fundo o que não se deseja ver é uma forma de consciência que não se é capaz de praticar. Milita-se a infelicidade, a profecia que se auto-cumpre. Devíamos era ter vergonha na cara e reparar em todos aqueles que conseguem enfrentar problemas graves, problemas reais e não desistem de seguir em frente.

Ser feliz na infelicidade é algo que procuro a todo o custo não praticar. Faz mal, faz ainda pior a quem nos rodeia e, acima de tudo, desmerece a vida. Venham todas as rugas do riso temperadas pelas lágrimas que vale a pena chorar.

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