resonate

Há palavras e frases cujo som nunca saberei explicar. Palavras como remolacha, arroz con leche, huevos fritos, chocolate en taza, garbanzo e muitas outras. Remolacha nunca será apenas beterraba, arroz con leche não se compara nem por um milímetro a arroz doce, garbanzos são muito mais que meros grãos-de-bico. Não se trata de divisões de matéria, patriotismos estranhos ou conhecimento mais profundo de determinado idioma. São expressões que trazem cheiros, preceitos especiais, misturam-se com outras sensações particulares que ficaram gravadas a ferro e fogo numa memória sensorial que vai além do sensorial.

Tenho jeito com as palavras, sei que tenho. Aqui, esse meu jeito não serve para nada, não chega, nunca chegará. Recordo de forma clara as vezes que as tentei explicar a quem tive e tenho por perto. Ficava sempre curta a descrição, a pessoa a olhar para mim com o ar de quem não percebe; a razão é porque-não-as-viveu.

Por isso é tão incrível quando se encontra alguém que de repente dispara o gatilho dos significados adormecidos em leitos suaves e carinhosos. Quando nos deparamos com essa sorte é lindo porque sabemos não ser necessário explicar mais nada.

Dirão alguns que se trata das ressonâncias.

Eu digo que não. Uma vez mais, a palavra certa, infinitamente poderosa, neste caso, é resonate.

E não, também esta não é igual.

Um dia pode ser que eu consiga explicar; quem sabe já não estarei aqui mas antes sobrevoando este ou outro mundo numa quarta ou quinta dimensão onde apenas namorem os sentidos.

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