os sedimentos feios

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Hoje agarrava na porcaria de um barco e zarpava daqui para fora. O barco não tem culpa nenhuma e certamente porcaria não ia ser mas bastava-me um que me pusesse a milhas. Bastavam umas horas apenas, longe, não para esquecer ou tapar com a peneira, antes para integrar, escolher, deitar fora.

Há dias demasiado cheios de pessoas. De pessoas que nos desiludem, nos passam rasteiras e cometem actos de cobardia. Pessoas que não falam claro, não explicam claro, não se zangam claro, escondem. Pior ainda é quando gostamos nem que seja um bocadinho delas, quando temos a certeza que nunca ter feito nenhum mal. Ah mas aí é onde a porca torce o rabo, dir-me-ia o mar neste momento se estivesse na tal porcaria de barco, parada no meio do oceano a olhar com ar pouco interessante para as profundezas: o mal muitas vezes chama-se frontalidade, transparência, dizer-o-que-se-sente-sem-merdas-pelo-meio. Dizer que se gosta, que se não gosta, vomitar cá para fora o lixo de anos e anos, pedir desculpa sentida, agradecer de forma sentida, chorar de forma sentida, encolerizar-se de forma sentida. Chama-se a isto exprimir sentimentos na-tua-cara, não usar arrevesamentos de estilo onde se escondem certas formas de esgoto.

Digo eu que adoro pessoas: hoje é um dia demasiado cheio dos sedimentos feios de algumas pessoas. Podem ficar com eles porque, em última instância, desisto.

Antes disso, ficarei triste.

Se há algo de que não gosto é de endurecer bocadinhos de coração onde antes moravam pessoas.

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