ilusão. do verbo iludir, enganar.

O que se faz quando chegas à conclusão de que passaste a maior parte da tua vida sob um véu de uma felicidade ilusória? O que se faz quando compreendes que sempre vislumbraste a trama fina e quase transparente do tecido fino da mentira? O que se faz quando recordas mil e uma impressões amargas na garganta pela culpa que não tens, pela palavra que não podes, não deves, dizer?

É relativamente complicado: dobras com carinho todos os pedaços desse véu que rasgaste; podes até criar rolos finos, em pontuações de transparência. Arrumas todos sem excepção naquela gaveta que não abres todos os dias mas que abrirás sempre que seja necessário. Por fim, deitas fora fios, linhas e agulhas. Não te esqueças, porém dos alfinetes, eles também servem para unir, mesmo se de forma mais rudimentar. O que se procura aqui é não mais recriar a trama: para isso deve ser possível olhar para ela mas não repará-la.

E depois?

Depois avanças. Com a consciência de não querer mais nada de tudo o que viveste antes sob a forma de uma ilusão.

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