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O sol brilhava lá fora. De tempos a tempos, um que outro telefonema:

“Vamos para a praia?”

“Queres ir dar uma volta? O dia está tão bonito…”

Respondia que não. O sol também brilhava lá dentro, entre as suas paredes, ia brilhando cada vez com mais intensidade porque ela arrumava, deitava fora, reciclava, oferecia. Por vezes com restos de pena, despedia-se, noutras, sem piedade, apontava apenas o caminho de saída. A casa respondia ao som da música, com novas e antigas melodias; a mulher sorria com recordações gratas, arrepiava-se com ressonâncias mais ou menos conhecidas.

Quando os dois dias de descanso deram lugar à derradeira noite, a casa era mesma mas o ar era novo. Poucas tinham sido as palavras que ela trocara com alguém; muitas as que trocara consigo.

“Este é o vento dos novos inícios”, pensou ela.

A casa respondeu:

“Tens a certeza que não se trata de um reinício?”

“Reinício soa a voltar ao mesmo, não traz compromisso nem mudança. Não. Este é o vento de um novo início.”

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