mother chameleon

As vésperas deixam-na sempre de coração apertado. Não há remédio, chega à conclusão. Já passaram dezoito anos do nascimento do seu primeiro filho mas se antes ficava triste por um, não é a idade ou o segundo filho que lhe trouxeram a cura: agora fica triste por deixar os dois, ainda que seja por pouco tempo.

Quando era miúda achava que o papel de mãe era deveras mais fácil. Os pais pareciam sempre em domínio de toda e qualquer situação,  conseguiam sempre proferir aquelas frases fabulosas como vais ver que passa depressa ou é bom sentir saudades. O tanas. Ela sabe agora o quanto aquelas pequenas mentiras lhes deviam custar; ou então talvez seja ela que nasceu com um defeito genético, um defeito de signo, um defeito dos nascidos em Fevereiro ou dos da safra de 1965.

O que lhe vale? O lado camaleão que lhe permite adaptar-se rapidamente, guardar as saudades numa caixa de fermento e conseguir fazê-las explodir quando volta, para vergonha do mais velho e alegria do mais novo. Exagerada em tudo, pois está claro. Como no resto.

Haja paciência.

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