as coisas que realmente importam II

Quando as duas mulheres se encontraram sabiam que aquele ia ser um almoço grato, um almoço bom. Comentaram isso e riram ambas mencionando a sabedoria que a idade dá e que compensa o roubar de outras coisas. O roubar da vida, por exemplo. Falaram da consciência, do facto consumado de um tempo que vai ficando mais curto e que, por isso, deve ser melhor aproveitado ou gozado a cada minuto, como uma delas referiu.

Falaram do prazer das conversas e de como ele se vai apagando numa relação com temas que se tornam tabus ou omissos pela diferença de interesses. Nesse momento, uma minúscula sombra de tristeza pairou sobre a mesa. As duas mulheres relembraram o tempo que não têm para mais desencanto e mágoa, falaram do encantamento das coisas que alguém nos descobre e assim sopraram a tristeza, uma delas com a brisa da esperança, a outra com o fogo da certeza de nunca desistir.

O almoço poderia ter-se prolongado por muitas mais horas mas as mulheres não têm pressa. Para isso, para o estar entre mulheres que se querem bem, elas sabem que têm tempo, têm muito tempo.

Passe lo que passe, siempre estarás aqui.

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