dia de tempestade

A chuva não deixava ninguém falar, não deixava ninguém ouvir, as pedras saindo dos passeios com a força das águas e o sopro do vento, cascas de noz em forma de automóveis avançando cautelosos com a impetuosidade das águas.

Assustada, a mulher saiu do carro e refugiou-se no guarda-chuva, correndo para a escola. Pessoas passavam, cruzando-se com ela em silêncio, cabelos e roupa ensopados, olhos no chão, sem vontade de enfrentar o céu.

Entre a multidão apressada, alguém lhe tocou ao de leve no braço; a mulher procurou a pessoa do gesto e reconheceu nos olhos dela aquela espécie de angústia que nos envolve a todos com a proximidade do Inverno.

Depois passa, pensou ela, depois passa com as castanhas, o calor da casa e os bons amigos; mas claro que depois regressa, quando a pele fica transparente e quase se esvai de tanta ausência de luz, quando o primeiro sinal perfumado das flores traz um aperto embrulhado de alegria. Nesse momento, sabemos que já não aguentamos mais frio cá dentro; aí, a Primavera torna. 

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