o ser humano não é só isto

Ontem fechei o meu capítulo de descoberta de Michel Houellebecq.

Raras vezes um texto me  indispôs tanto, me angustiou tanto e me fez ter tantos pesadelos antes e durante o sono. Tenho sérias dúvidas que tão cedo me apeteça ler mais da sua obra.

Talvez esteja a cometer um pecado intelectual, estou-me positivamente nas tintas. O que sei é que o ser humano não se resume ao seu lado mais sórdido, feio, abjecto e desprezível. O que sei também é que uma boa história não tem que ter somente ingredientes deprimentes e degradantes para o ser. Neste livro, o leitor não tem outra opção de visão da vida. E quando as páginas se sucedem e não há uma réstea de esperança ou de beleza, quando a própria beleza é um handicap e a oportunidade de redenção uma impossibilidade intelectual, lamento mas não consigo mais e uso com toda a propriedade um dos meus direitos do leitor (Daniel Pennac): abandonar o livro.

Talvez seja ingénua. Talvez seja lírica, também; mas não consigo (nem quero) conceber a existência apenas como um inferno em que o lixo somos nós. 

Há muitos mais autores para descobrir e o tempo é sempre, será sempre, escasso.

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