não é a mim

O médico entrou na sala escura, cheia de écrans e frascos cheios com um líquido viscoso. Sorriu para ela e cumprimentou-a. A mulher retribuiu o sorriso mas sentiu-se pequenina; sentia-se sempre. Ela sabia o sorriso por que esperava e não era exactamente aquele.

De cabelo quase branco, a pele marcada como um lobo-de-mar, o médico sentou-se diante do écran e iniciou o exame. O semblante sério, a atenção redobrada, fazendo medições, comentários minúsculos. A mulher respirava devagarinho.

Por fim, o médico suspirou, e disse:

– Pronto, continuo a gostar de si.

Veio o sorriso. O do alívio de não haver nada.

A mulher agradeceu; e ele retorquiu:

– Não é a mim que tem que agradecer, agradeça-lhe a ela. À sua natureza.

 

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s