num ponto sobre o rio

Um vento suave e fresco entrava pela janela, trazendo o rasto de luz. A mulher não conseguia dormir.

Saiu do quarto, os pés descalços pisando o chão com cuidado, os filhos dormiam. Fechou as portas sem ruído e entrou na sala. Ali, abriu as janelas que olhavam o rio e disse:

– Aqui me tens.

Um sorriso cresceu trazendo mil partículas douradas a pairar pelo ar.

Conversaram a noite inteira. Por diversas vezes, durante longos períodos, a mulher calava-se, a visão e a possibilidade de tudo aquilo era demasiado grande, roubava-lhe as palavras.

O céu começou a clarear.

– Agora tenho de partir. Regresso amanhã.

A mulher pediu que assim não fosse, era demais. Se necessário for, fecho as portadas, disse.

– Isso não, gosto de te ver nua.

A luz maior empurrou e a Lua desapareceu no céu.

O despertador tocou e a mulher sentiu-se exausta. Um tudo-nada vazia por dentro. Como na saudade.

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s