meta

A mulher está calada e apetece-lhe estar calada. O dia avança como uma sesta lenta, quente, nostálgica, como todas as sestas. Ela deixa-se levar no silêncio, no saborear de pequenos fragmentos preciosos como num acordar vagaroso de um sonho bom, um sonho de amor. Custa-lhe falar, custa-lhe perder o silêncio lá dentro. Ela pode e gosta de o transportar. Apenas deixa que a música o sublinhe ou pontue a melancolia boa; basta não resistir e deixar aparecer.

A música vem, vem sempre, aliás.

Vem devagarinho e torna a garganta repleta de notas húmidas, no limite de uma espécie de beleza insuportável que parece transcendê-la, fazendo com que desista de se compreender a si mesma e, aí sim, abandonar-se.

 

 

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