abrir as janelas

Levantou a mão de dedos compridos e o estalo fez-se ouvir. Um estalo sonoro, seco, inaudível para todos, a não ser para ela. 

Ergueu a mão por segunda vez e deu novo estalo. 

As palavras estúpidas que enchiam a cabeça, apertavam o peito e paralisavam as acções, ficaram quietas. Ela tremeu e temeu pelo que tinha feito.

A mulher calara-se por dentro.

O silêncio era de certa forma triste, como uma casa que tem de ser limpa por dentro, esfregada e tornada a esfregar até que os maus odores se espantem e saiam a correr.

Agora era o momento de abrir as janelas.

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