só tu acreditas

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O rapazinho, de asas nos pés e sorriso aberto,  atravessou o asfalto, percorreu o passeio, sobrevoou os automóveis. Não desejava parar mas a cortina transparente desenhou-se por baixo dele. O miúdo disse

Párem, agora!

As asinhas obedeceram, os pés ganharam o chão. Diante dele, a cortina. Repetiu, em voz mais alta

Pára, tu também, não me ouviste?!

As gotas emudeceram e cristalizaram-se. Devagarinho, estendeu os dedos da mão. Ao seu toque, as partículas de água transformaram-se em mil estrelas, fez-se noite dourada com uma lua gorda no céu.

Ei!, disse o rapaz, quem te disse para apareceres?

A lua soltou uma gargalhada que fez estremecer as estrelas. Ele sorriu de novo e disse

Eu sabia que tu eras capaz de rir.

E eu sempre soube que tu tens asas nos pés.

Não vais contar a ninguém, pois não?

Claro que não, só tu acreditas.

A lua abraçou a criança com o seu manto quente de luz.

Ali ficaram os dois a conversar até que o dia nasceu e o gelo se voltou a transformar na água que corria todos as manhãs nas torneiras da cidade para lavar as caras de todos os meninos.

 

 

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