mais um porto

O segundo escritório dela era perto da avenida onde nos meses de Maio os jacarandás ficavam em flôr. Quando chegou o momento de se ir embora, teve pena, mais pelo perfume violeta do que pelo conforto do espaço. Ela tinha o instinto dos ciclos que chegam ao fim: quando essa altura chegava, uma espécie de frieza revestia todas as horas e todas as coisas; ela só pensava em partir.

O terceiro escritório foi ao lado do jardim da árvore de copa gigante, centenária, e dos ginko-bilobas cujo amarelo franzia os olhos de quem ousasse olhar. Entrou no espaço com alegria e ali permaneceu feliz por oitocentos e oitenta dias. Nesse momento, a porta virtual do ciclo fechou-se e, mais uma vez, ela desarrumou, deitou fora, não olhou mais para trás, voltou a arrumar.

Ainda não percebeu bem quais as árvores que tem agora em volta. A mulher sabe que elas têm um lugar na sua vida, talvez sejam alguns dos pilares que ela finge não perceber. Mas agora, proeminente, é a água, o rio por vezes azul que verá todos os dias da sua janela.

Quem sabe o que isso lhe reserva. Ela não quer saber, apenas deseja navegar.

 

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