vicente

O portátil batia na barriga, enorme. Pressentindo, a mulher escrevia um guião rapidamente, sentindo o bebé a mexer-se, mais inquieto.

Uma dor mais fininha, olhou para o relógio.

O texto avançou a mais velocidade no écran.

Cinco minutos, mais outra dor.

E mais outra.

E mais outra.

A mulher sorriu e disse:

– Acho melhor irmos.

Passava uma hora e meia do início de um novo dia. Chegaram.

Reinava a calma. Os médicos prepararam a anestesia que causou como efeito o riso na paciente.

A caminho do bloco deu gargalhadas por entre as graças das enfermeiras e a atrapalhação do futuro pai.

Eram duas e quarenta da manhã quando nasceu o rapazinho.

Apenas aí, ao senti-lo nos seus braços, a mulher chorou. De alegria.

Essa mulher sou eu e a criança o menino chamado Vicente que hoje completa cinco anos.

Pareço ter o condão ou a fortuna de ter trazido os meus filhos a este mundo entre risos. Talvez o mérito não seja meu mas antes destes miúdos que nasceram trazendo a alegria. Por isso digo e sempre direi que são as únicas obras primas que alguma vez serei capaz de dar à luz.

Obrigada meu amor pequenino.

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