na concha

Devagarinho, sem fazer barulho, retirou a concha. Limpou o pó de alguns meses, aqueceu-a com as mãos por alguns momentos e depois abriu a parte de cima. Sem pressas, introduziu uma das pernas, depois a outra, o tronco, os braços e finalmente a cabeça. Com a mão direita tornou a fechar.

Nos dias que parecem começar com tudo ao contrário, nos dias em que se sente confusa e com a sensação de ter exposto demais, nos dias em que tudo parece ter perdido o brilho ou o brilho parece uma ilusão, ela precisa do cheiro do silêncio a mar salgado.

Pelo menos ali pode guardar tudo o que dançou.

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