metamorfose

Disfarçada-de-vento entrou pelo corredor e disse olá. A professora sorriu e abanou a cabeça, reconhecendo o ar desenfreado.

Entrou, arrastando conversas à passagem e depois dirigiu-se ao espaço que tinha tapetes lilás. Escolheu um deles, transformou-se num remoinho e, apenas por isso, amainou.

A voz da professora fez-se ouvir, na sua ladainha de instruções precisas e cuidadosas, nos ajustes gentis.

A pele de vento foi suavemente dando lugar a outra coisa, uma espécie de calmaria. Aos poucos, foi largando palavras tensas, actos sem-jeito, gestos menos agradáveis, foi-se esquecendo do trânsito, da lista de tarefas, das obrigações, até ficar num lugar quente, de certa maneira mais-penumbra, ausente de som.

Tinha voltado a ser brisa.

A brisa tinha um propósito. Espaventos não se conjugavam com ele, eram como palavras desnecessárias que não acrescentam mais nada a não ser ruído. O propósito era simples: mais tarde, ela queria ser capaz de aquecer e dar conforto.

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