minha

Era muito cedo, mais cedo que o previsto, o sol ainda preguiçava no horizonte.

A mulher deixou que o corpo se estirasse e depois pousou os pés no chão de madeira. A sensação era a que sempre imaginara: quente, acolhedora, vagamente familiar. 

Levantou-se e, não querendo acordar ninguém, imitou os passos de um gato. Devagarinho, foi sentindo o soalho a dar-lhe os bons dias, rangendo sob os seus pés. Percorreu a casa e, sem pensar, abriu a porta da varanda e saiu. Deixou-se estar por momentos e inspirou o ar fresco até que este lhe disse que já era hora.

Um sorriso desenhou-se na sua pele, por inteiro, como um beijo que se deixa no ar. 

Mil músicas misturaram-se por todo o lado. A mulher sentiu o arrepio e a comoção. Deixou então que a água quente a envolvesse e, antes que aquela a fizesse regressar à vida de todos os dias, sussurrou com uma voz um pouco mais grave que a sua

Minha?

Arrancou com velocidade em direcção à realidade.

Agora, não consegue parar de sorrir.

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