ligar-se à terra

A mulher pediu um sumo de laranja. Primeiro golo:

Casa dos pais. Em frente, as amendoeiras em flor. Mais adiante, ao virar da esquina da estrada estreitinha com o muro de pedra que vai dar á escola, um pequeno pomar de laranjeiras e tangerineiras. Pequena, sou pequena. Entre sorrisos, roubo laranjas e tangerinas. Sentamos-nos no muro, acho que o Filipe e eu. Cascas voam e o sumo de umas mistura-se com o das outras, enquanto os gomos estalam na boca. O doce fica mais ácido, o amargo torna-se mais açucarado, as gotas escorrem pelos cantos dos lábios. É o início da Primavera.

A mulher abana a cabeça e engole o sumo todo de uma vez. Agora já chega. Precisa de se ligar à terra do presente.

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