livros, livros e mais livros

Os livros enchem uma casa. Não os de fingir, apenas lombadas ou capas vazias de miolo, mas os de verdade. Os livros vividos, dobrados, anotados, dedicados, fazem parte de uma vida; por vezes, de muitas. Os dos meus pais viajaram de barco para África, tornaram a Portugal muitos anos depois, perdendo-se alguns no caminho, outros trazendo o cheiro da terra nas folhas amarelecidas. Tenho o orgulho de poder dizer que nasci e cresci entre livros, o que significa crescer entre mil histórias, pensamentos, questões, assuntos que nos fazem viajar, aprender e também amadurecer. Uma das melhores memórias que guardo é não ter memória do meu primeiro livro. Grata, essa, significa que é remota, bem antiga, a sensação de não ter consciência de um acto que somente se tem quando repetido tantas vezes quantas as necessárias para deixar de ser uma acção e passar a ser um gesto natural.
Os livros, usados, felizes, enchem a casa dos meus pais e, hoje em dia, a minha. Por isso, confesso que não resisto à tentação quando conheço a casa de alguém novo. Os meus olhos procuram, viajam, observam. Acredito que contam histórias que não são apenas as dos seus autores, contam também o percurso de quem os tem. Prateleiras de livros são estantes de revelações dos donos da casa. Por isso, nesta bisbilhotice militante, sorrio ao ver velhos conhecidos. E, se vejo livros por todo o lado, até nos locais mais inusitados do espaço, fico feliz. É sinal de boas-vindas. É sinal de casa.
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