lua-cheia

Anoitecia. As flores espreguiçaram as pétalas e, sem ruído, envolveram o seu centro. Os insectos recolheram a pequenos buracos na terra. As árvores acolheram os pássaros nos seus ramos. O silêncio começou a instalar-se. Mas, no jacarandá da Avenida, o beija-flor não queria dormir. Seduzido pelo astro gigante e luminoso, não podia deixar de o observar. Era paixão antiga, aquela, embora apenas agora se desse conta.  A ave suspirou, fechou as pálpebras  e desejou ser uma estrela. E então, nesse preciso momento, sentiu uma chuva miudinha; o beija-flor abriu os olhos e reparou nas suas penas molhadas de dourado. Ergueu o olhar. A Lua chorava, na alegria do amor.
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