fall


É Outubro. 
Nunca sei o que sinto nesta altura do ano, confesso. Entristece-me a partida do estio com os seus dias longos, a pele despida sem necessidade de capas, os perfumes libertos, a limpeza do mar. 
Contudo, o Outono chega e o abraço dos frutos quentes encanta-me. Chegam as castanhas nas suas mil e uma maneiras generosas, relembro e celebro o cozinhar de tantas compotas deliciosas no vagar sonolento das colheres de madeira, no odor a açúcar torrado, no deslizar de um dedo matreiro que rouba um pedaço.
Aproximam-se noites sossegadas em silêncios que se desenham no ritmo lento do crepitar da lenha, ou plenas de vozes e risos dos amigos que adoramos deixar entrar em casa e partilhar a nossa vida. É um facto: o Verão vive-se lá fora, o Outono, por dentro, deixando vir o frio devagarinho para que os corpos se ajustem a uma nova estação da vida. Talvez haja um sentido em tudo isto: quem não precisa de aconchego depois de demasiado tempo ao sol? 
Outono diz-se Fall, em Inglês. Escrever é uma espécie de Outono: uma forma de despedida, uma forma de renovação, deixar que as vísceras falem, se limpem e assim se cuidem, permitir que o coração caia, se despedace e reconstrua, dando mais espaço a momentos bonitos da vida, a tantos momentos absolutamente maravilhosos desta vida que vale a pena contar.
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