sede

Esquecidos. Abandonados. Adormecidos. Num sono profundo, bem perto do sono dos contos infantis, aquele de que apenas se desperta com a lembrança ou a salvação. Assim estavam eles, encostados às prateleiras, encostados uns aos outros, como que suportando-se. Mas, naquele final de tarde, um deles estremeceu pelo contacto com os dedos de uma mão, os outros escorregaram como um dominó. Estremunhados, acotovelaram-se e depois fizeram silêncio. Veio o espanto e o sorriso. Era a música. A música tocava o ar, perfumando-o com notas arrumadas; ela regressara, procurando as melodias como sempre fizera. Com sede de harmonia. Os discos tinham saudades daquela mulher, agora tinham consciência disso depois de um sono demasiado longo que quase lhes roubara a vida.
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