o sabor invisível de um gelado

A mulher reparou e a empregada também como as duas senhoras chegaram, de mansinho. Não viam nada, tinha-lhes sido negada essa capacidade. Pediram um iogurte gelado, entre gracejos e, sem hesitar provaram o primeiro bocadinho. As descrições eram maravilhosas como apenas alguém a quem foi retirado um sentido as pode fazer. Agradeceram e foram-se embora, de braço dado, tacteando o caminho. 
A mulher sentiu o nó na garganta e os olhos encheram-se de lágrimas. Olhou para a empregada e percebeu um estado igual. Riram-se as duas num gesto de profundo respeito pela vida. Há coisas tão mais sensíveis que o comezinho do dia-à-dia.
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