diário de bordo – memórias de algodão

Tinha vinte e um anos e a rede de comboios chamava-se Amtrak. Estava a meio de uma viagem a solo, pela costa Este dos Estados Unidos. O transporte avançava preguiçosamente pela Georgia. Com a testa encostada ao vidro, ela viu pequenas partículas brancas deslocando-se pelo ar. Pareciam flocos de neve confusos, num dia de Verão. A mulher recordou a sua infância. Olhou em redor: a carruagem estava quase vazia, à excepção de alguns passageiros, dormitando. Sem reflectir, seguiu o seu impulso de menina recém-despertada: encostou a língua ao vidro e imaginou o sabor  macio e fresco da neve nos seus lábios. Logo depois, adormeceu e sonhou, a inconsciência levando-a por entre os braços doces do algodão.
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