diário de bordo – mar adentro

A mulher nadou, nadou, nadou, até quase deixar de ver a praia. O mar era, não raras vezes, a sua zona de escape, o seu modo de meditação, com tudo o que isso implicava, por vezes serenidade, outras tantas profundidade e escuro, receio, dúvida. Viver era isso mesmo, essa forma estranha de equilíbrio entre forças divergentes.
Hoje, o mar estava cristalino, verde-esmeralda.
A mulher susteve a respiração e mergulhou. Sentou-se no fundo e deixou-se estar no silêncio belo. Recordou-se de todas as vezes em que submergira mais fundo, muitos pés abaixo do nível da superfície e em especial daquela, nocturna. Em certa ocasião, mergulhara numa baía particular onde vivem micro-organismos que se defendem projectando uma luz de néon absolutamente azul. Envolta nesse halo incrível, ela ficara no fundo e sentira a vertigem do deixar-se ir, abandonando-se mar adentro…
A reserva de ar começou a esgotar-se. A mulher empurrou a areia com os pés e voltou à superfície. A saudade era tramada, era sempre tramada.
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