Diário de bordo – a música das palavras

Para ela, as férias começavam no momento de estar de pé, diante da sua biblioteca. De braços cruzados, de frente para os livros, tinha tempo, esperava. Bastava reservar um pouco, uns minutos apenas, e a maravilha começava. Pouco a pouco, alguns começavam a sobressaír, chamavam por ela, exigiam sem escolhidos. Não sabia porquê, mas sempre acontecia dessa maneira. Então, retirava os eleitos das estantes, quase pedindo desculpa aos demais. Esses seriam os seus companheiros nas férias, era inevitável. Contudo, era frequente acontecer outra coisa: a falta. Aquele era o momento da livraria e aí, o processo repetia-se. A mulher podia pedir títulos, clamar por autores, mas apenas aqueles que deveriam viajar com ela estariam disponíveis. Assim aconteceu este ano, de novo. Na loja, referiu cinco, somente um a pôde acompanhar. Na mala, além de Juliano, de uma sereia imaginada por um moçambicano e das cartas de um jovem poeta, a mulher leva consigo Mrs Delaware, uma música nova, desconhecida, para o seu coração.
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