self

Começo cansada, sem vontade. Depois ando, ando depressa, acreditando naquilo que deito fora no suor. Corro até sentir que quase vomito as entranhas. Volto a caminhar. Depressa. O foco cada vez mais nas árvores, no caminho. Volto à corrida, os pulmões meio queixosos, meio agradecidos. A cabeça queixa-se, quer falar, quer enervar-me com as questões do costume. Não deixo. Ando, de novo. Corro, de novo. Repito o esquema até à exaustão até domesticar o pensamento. Com isso, fujo dos papéis da vida. Largo as capas, as hesitações, as censuras, as obrigações, o ‘dever’ e ‘haver’, os clientes, o jantar de hoje, a inscrição no colégio, os processos complicados, os impostos, a rotina, aquilo que se pode, deve ou não dizer… e finalmente fico. Fico comigo mesma. 
São estes bocadinhos de dia que me fazem melhor pessoa no que resta das horas.
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