para a isabel pinto


Nunca percebi a loucura das fotografias. Ou melhor, respeito e compreendo a loucura das fotografias enquanto registos, memórias. Mas sempre me aconteceu ficar com a câmara estacionada num lugar qualquer. Tenho a eterna sensação de que os olhos perdem sempre um instante precioso na preocupação da foto, na tensão da pose ou da captura do momento. Os olhos registam muito mais, registam acima de tudo a naturalidade do nanosegundo, não precisam de mais lente ou mais filtro. Na minha vida, os meus olhos já capturaram coisas incríveis que ficaram registadas de modo definitivo na minha memória; sem possibilidade de se estragarem com o tempo, precisarem de ser reveladas ou ficarem perdidas num computador qualquer. É certo que assim a partilha não é tão poderosa. Será? Será que a descrição de uma imagem não a torna ainda mais bonita? Acho que sim. E depois, há todas as imagens que são apenas nossas, a imensidão da nossa privacidade, linda por isso mesmo, ser apenas nossa. Daquilo que me comove realmente, me toca e me agita, não quero tirar fotografias, não sei, admito. Por isso admiro os raros fotógrafos que conheço e que conseguem isso mesmo: dar a uma fotografia o poder e a intensidade da vida real.

(a imagem foi roubada à Daniela Mertens)


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