o direito

A mulher sentia-se intoxicada e sabia que não era dos cigarros.
Havia uma espécie de aperto, de sensação desagradável na garganta, nos pulmões. 
Foi à farmácia, desculpou-se com o excesso de sol e com o ar condicionado do automóvel, comprou Brufen, engoliu um Brufen, programou a toma do outro para as 19.30h, e ficou à espera.
A mulher sabia a razão e não era o tempo. 
Tal como a espera também não era a mais óbvia.
A vida tinha destes mistérios: o corpo dava respostas quando elas não podiam ser dadas da forma mais directa, as costas denunciando cargas exageradas, a garganta reclamando do silêncio obrigatório. Mas havia sempre os remédios que tiravam os sintomas e tornavam a espera mais agradável, valha-nos isso, ou mais suportável, no seu mascarar das causas reais. 
Contudo, a mulher sabia que o corpo não resistia a tudo isto durante muito tempo, pelo menos o seu. Por isso, a mulher ficou à espera, dando-se a si mesma o direito da espera ter um limite. Se havia algo que não desejava para si era ficar doente.

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