a luta

A mulher acorda e o pescoço gane. Gane o pescoço, gane o braço direito, ganem as costas. O lado preguiçoso da mulher diz não vás, vais ficar pior. A parte teimosa da mulher levanta a família inteira, veste o mais novo, espicaça o mais velho, prepara pequenos almoços, nos intervalos ainda veste roupa confortável para o passeio. O lado preguiçoso zanga-se: não vês que tens o pescoço avariado?! A teimosia vence, a família sái para a escola e a mulher sái atrás deles, caminhando vigorosamente. Os primeiros metros são penosos, a preguiça pica, duvida, envenena. A mulher defende-se e respira, respira, lembrando-se das palavras dos professores de Pilates: usa a barriga para respirares, pescoço e costas têm de ficar livres, como se nada tivessem a ver com o resto. Depois do primeiro quilómetro, a mulher dá um pontapé valente á preguiça e de súbito esquece-se; esquece-se do pescoço, das costas, do braço, esquece-se que tem corpo, como se fosse apenas barriga e respiração. Quando dá por ela, passaram seis mil metros e está de volta a casa. Vencera a luta.
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