terapia do asfalto

Os miúdos saíram como sempre, a correr, o mais novo fazendo caretas e atirando beijos e corações desenhados nos dedos à mãe, o mais velho esquivando as carícias dela, fingindo não gostar. Então, na calma da casa silenciosa, a mulher preparou os seus pequenos luxos do dia: 
1) Uma caixa com espinafres, pequenas sementes de cores variadas, proteína saudável, lentilhas, todos regados com balsâmico e azeite, guardados com cuidado num saco de pano; 
2) A muda de roupa para a sua segunda personagem da jornada: roupa confortável e sapatos apropriados para um passeio de vários quilómetros à beira-rio.
O dia avançou a contra-relógio, entre reuniões, discussões, o almoço engolido à pressa, a volta dos miúdos da escola, uma consulta de Dermatologia, e minutos perdidos em semáforos.
No final do dia, a mulher irritou-se: hoje não conseguiria premiar-se com o luxo da sua terapia do asfalto. Era algo mais que tinha de aprender, todos os dias: aceitar, sem culpa, que nem sempre a sua programação tinha de ser cumprida, nem que fosse porque o corpo tinha direito de pedir algo muito simples chamado descanso. Afinal, a vida não acabava hoje, havia sempre o amanhã.
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