por dois segundos

Depois do chat breve e das gargalhadas, a mulher reiterou o que sabia mas que muitas vezes abandonava na gaveta do esquecimento: ela gostava de pessoas, gostava de privar com aqueles que a inspiravam, lhe traziam coisas diferentes, lhe desafiavam a vida e lhe questionavam sobretudo a vidinha. Ela sufocava sem o ar das suas gentes, tanto fazia se fossem novas ou velhas no conhecimento*, porque ela amava os seus amigos e tinha uma infinita capacidade para se apaixonar por quem tinha alma e a deitava cá para fora.
Eram tempos merdosos, disse para si, mas a sorrir, sem a merda que faz as rugas tramadas. Porém, estas pessoas que em segundos a enchiam de oxigénio, eram aquelas que a obrigavam a insuflar-se com a energia certa para pegar na pá, deitar a porcaria toda pelo cano onde viviam os miseráveis de espírito e voltar a acreditar em tudo, de novo. Nem que fosse por dois segundos, duas horas, três dias, uma semana ou um mês, apenas.

*desde que sempre bem resolvidas na boa fé genuína, isentas de inveja ou maldade, disso ela já não tinha idade para prescindir, nem se permitia a tal coisa.
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