tapada da pena

Aos domingos tentamos evitar a praia. Temos horror das filas de trânsito, das intermináveis horas de saída dos parques de estacionamento que acabam por estragar o dia. Assim, tentamos organizar outros programas, de preferência aqueles que nos permitam mostrar algo de diferente aos miúdos e passear. Ontem escolhemos a Tapada de Mafra. Nenhum de nós a conhecia e a descrição tinha-nos convencido: uma Tapada dos Reis, uma maravilhoso ‘jardim’ imaginado de oitenta hectares com árvores centenárias, veados, javalis, lobos e aves de rapina. Fizémo-nos ao caminho, entusiasmados, já inventando mil histórias de príncipes e princesas para contar ao mais novo.
Que dizer da desilusão? Muito, infelizmente. A desilusão não passa pelo espaço, pela natureza ou pela oferta genuína. Passa pela pobreza do cuidado, pela falta de brio e de aproveitamento do entorno. O recebimento é feito por uma bilheteira pouco simpática onde a fila de pessoas se mistura com a fila de tantas outras que esperam o ‘circuito do comboiozinho’. Logo aí, a vergonha se mistura com tristeza. Dezenas de turistas (internos e externos) esperam de pé, ao sol. Não há um toldo bonito com bancos de madeira para os resguardar. Passado o portão, um café miserável oferece restos de comida e menos de nada de gelados (em Agosto????). A caleche (uma das alternativas de passeio) não funciona por ter uma roda furada (a um domingo???). No percurso a pé, as tabuletas de indicação estão tortas, informam mal, o rio está seco, as vedações são pobres e mal amanhadas. Ninguém nos conta uma história ou dá valor ao passeio. É triste pensar que se  a Tapada fosse nos Estados Unidos ou mesmo aqui ao lado, em Espanha, não haveria uma árvore por identificar, e certamente os percursos seriam assinalados por episódios da época, mais ‘recriados, ou não. Ficámos tristes e desconsolados. Esta falta de orgulho, de preservação e aproveitamento do que é nosso e do qual poderíamos retirar valor, é pungente, faz reiterar muitas outras coisas sobre o nosso ser português, e isso irrita-me. Sou meia espanhola mas adoro Portugal. A nossa falta de brio, consome-me.
Valeu o entusiasmo do miúdo mais pequeno na descoberta dos veados, javalis, aves de rapina, cada pedrinha e bocadinho de árvore pelo caminho. Daria tudo por ter multiplicado essa descoberta por mais três.
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