leituras de verão III

Os mapas deles só desenham as costas. Têm um mar vazio.
– E como é que pensas fazer para encher esse vazio?
– Ponho lá a direcção dos ventos e das correntes, que são as estradas do mar. Ponho lá a força destes ventos e destas correntes, que dão a velocidade dos barcos, porque no mar, quem anda são as estradas. Ponho lá as cores da água, que dizem as profundidades. Ponho lá a forma das núvens que anunciam tempestades.
– E como vais ficar a saber tudo isso?
– Terei navegado por todas. Ficar em terra é uma perda de tempo.
(…)
Erik Orsenna in A Empresa das Índias 

Este verão tem sido pródigo em bons conselhos de leituras. Este livro de Erik Orsenna que terminei ontem, é mais um deles. O romance histórico é um dos meus géneros favoritos talvez por ter crescido numa fase em que em Portugal a história parecia vergonha e em vez de ser contada com fantasia de reis e princesas, dava-se a crianças de onze e doze anos uma perspectiva sociológica da mesma, com especial relevância para a luta de classes… Enfim, uma história confusa e que não perdurava na memória ou muito menos na imaginação. A Empresa das Índias conta Cristovão Colombo nas memórias do seu irmão Bartolomeu, e é sobretudo a parte do Descobridor que não conhecemos, o antes das caravelas que o levaram às Índias que sonhava e que depois revelaram ser outro continente bem diferente. Muito bem escrito, prendendo a atenção desde a primeira página, é aquilo que o ensino da História deveria ser: empolgante, divertido, com ingredientes que perduram na memória para todo o sempre.
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