textos que me fazem ficar quieta

“Pressoterapia III
O homem desfez com cuidado a tristeza dos olhos que ela trazia.
Era, nessas alturas, como um mestre pintor. Podia fazê-lo apenas com um abraço e foi isso que fez. Um abraço podia ser um mundo, um colo, uma alegria infantil. Mesmo que o corpo não se visse em rodopios.
A tristeza dela vinha de dentro e de fora, era dela e não lhe pertencia. Carregava-a com o mesmo à vontade com que carregava outras coisas, tarefas a cumprir, prazos, pagamentos, rituais de vida. Detalhes que não se questionam.
No abraço, ao chegar por fim, depois do trânsito e do calor, os olhos dela perdiam a tristeza e o verde passava a cinzento. Quando lho dizia, ela respondia
É a luz. Muda-me a cor dos olhos.
Podia dizer que não, que era ele, mas o medo de ser lamechas era mais forte e a luz servia-lhe bem.” 

(Texto escrito pela Patrícia Reis no seu blog que todos os dias leio e que, em dias como o de hoje, me cortam a respiração e me enchem de orgulho de conhecer seres humanos como ela, capazes de escrever assim.)
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