deixa-te estar quieta


Habituada a resoluções, a mulher não sabia o que fazer. Se fosse um amigo, dava-lhe uma descasca, dir-lhe-ia que o melhor seria começar a espevitar e depois daria o seu braço como apoio. Se fosse o filho adolescente, um abanão e dois beijos logo de seguida não retirariam a cara de nojo militante própria da idade, mas pelo menos obrigá-lo-iam a reagir. Se fosse um cliente, mais fácil ainda seria, bastava tomar nas suas mãos o trabalho dele e agir. O problema é que era o seu corpo, hoje de certa forma esvaído, sem reacção. E o corpo não vai em admoestações, e muito menos aceita que alguém tome como seu o seu trabalho. A mulher resignou-se e obedeceu. Hoje, o corpo mandava e a ordem era: deixa-te estar quieta.

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