deixar ir


O miúdo mais velho começa as aulas no dia 7. Catorze anos, décimo ano, a vida mais séria. Olho para ele e relembro um bebé num corpo agora gigante, as mãos que antes podiam ser embrulhadas pelas minhas até desaparecerem, neste momento esguias e alongadas. Sinto saudades.


O mais novo começa a 14. Primeira vez, primeiras angústias de verdade. Olho para ele e tento fixar gestos, trejeitos, pequenas expressões. Procuro dar segurança, fazer da escola uma festa da vida. Faço tudo isto porque sei que o que sinto aqui dentro é inevitável. Daqui a nada será enorme como o irmão e mais uma vez sentirei saudades.



A minha costela da Índia deu-me a capacidade de saber que também os nossos filhos não nos pertencem. Deixar ir deveria ser um exercício de alegria. Como chorar.

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