alma de viajante

Depois de três semanas, a casa nova vai ganhando forma, os objectos adaptando-se ao espaço, aconchegando-se ou reclamando importância. Tomo consciência do valor de alguns, companheiros de fases relevantes da vida, amigos de longa data que não poderia abandonar se algum dia me fosse imposto fugir.

– Se um dia tivesses que sair desta casa e levar apenas um objecto, qual levarias?

– Os cães.

– Os cães não são objectos; tal como os filhos fariam sempre parte da bagagem permitida.

– Então, não sei… talvez a aparelhagem, a bateria ou a televisão.

– Mas só poderias levar um…

– Eu sei, mas vejo a maioria dos objectos apenas como decoração. Por isso, não sei responder. E tu, que levarias?

– As minhas duas chapeleiras antigas. Representam a minha alma viajante, um tudo-nada desenraizada.
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