Desautorizar a vida

Chegou ao escritório. O senhor do pátio avisou


– Cortaram-lhe a luz…!!!

Vociferou, condenou-se mil vezes pelo esquecimento da factura perdida entre o correio electrónico, ligou para a companhia na esperança de encontrar um herói-facilitador, perdeu a esperança, resignou-se, voltou a descer as escadas da garagem, pegou no carro, engoliu três camiões que travaram o trânsito, pagou a conta, a taxa-multa, voltou para o escritório, pediu aos vizinhos para lhe deixarem carregar o portátil, encheu-se de fé nos técnicos que certamente voltariam a dar-lhe luz ‘muito em breve’.

São cinco da tarde e nada aconteceu.
Irritada, já quase sem bateria (novamente) no portátil e sem possibilidade de ligar qualquer candeeiro, resolveu que em certos dias era bom desafiar todos os limites da vida em vez de a autorizar a esticar o nosso. Então, correndo todos os perigos de perder cada uma ou todas das muitas palavras, escreveu este texto e no final exclamou para si própria:

Vive La Résistance!
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