O Medo, esse personagem tão real

“Olhei-o inquieto. Alguma coisa mudara nele, falava com entusiasmo, os olhos brilhantes:
– O Medo é a minha especialidade. Eu desenho ambientes propiciadores do Medo. Estudei durante anos a arquitectura do Medo. Formei-me em Moscovo, lá, na Praça Lubianka. Conhece a Praça Lubianka? Ah, as saudades que eu tenho da Praça Lubianka! O Medo degrada as pessoas, meu caro jovem. Se você mantiver a pressão, semanas, meses a fio, o Medo acaba por funcionar como uma doença. Ao princípio é apenas um incómodo persistente, como uma dor de dentes, como uma dor de cabeça, uma dor que se instala no espírito, e vai corroendo tudo. Pouco a pouco a pessoa começa a alterar o seu comportamento, começa a imaginar situações de perigo. Torna-se paranóica, perde o gosto pela vida e entra em depressão. Eventualmente mata-se.”

Fala do personagem Beningno dos Anjos Negreiros 
em “Barroco Tropical”
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