Sem lugar a culpas

Há cerca de 15 dias comprei um livro por achar que o devia ler, por um motivo puramente técnico ou, se se quiser, com a desculpa de ‘conhecer o mercado’. 

O livro tinha sido precedido de algum alarido em número e tipo de notícias de imprensa (ainda por cima em títulos bastante respeitáveis) com comentários elogiosos à escritora, já considerada um ‘novo talento’. Admito que o título me pareceu anzol fácil: uma das palavras, “transa”, no sentido brasileiro do termo, parece-me um isco demasiado óbvio. Mesmo assim, adquiri-o.
Passaram duas semanas e não consigo passar da décima página. A autora escreve bem, é um facto. Mas o tema é o mesmo de muitos outros livros, rotulados hoje em dia como light. Pelo menos nas dez primeiras páginas; e, para mim, o princípio de um livro é como o princípio de um filme: ou nos agarra pelas mãos e nunca mais nos larga ou é um aperto de mão mole e sem vida do qual queremos fugir para sempre.
Acho que, mais uma vez, vou seguir um dos conselhos de Daniel Pennac na sua maravilhosa bíblia dos direitos do leitor, “Como um Romance”: vou abandonar o livro. 
Existem demasiados autores cheios de boas ideias, prontos a serem lidos. E, na falta de um destes, há sempre um clássico maravilhoso a chamar por nós com saudade na estante da sala.
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