O cheiro da terra

“Tem… uma… mensagem de voz”:


“Olá, sou a Susana, desculpa não ter respondido aos teus mails mas estive em Cape Town; cheguei hoje…”

Um cheiro acre, laranja ocre, emergiu das profundezas e colou-se às minhas narinas; a saudade apertou-me o peito e imagens da terra dispararam invisíveis diante dos olhos. Quis voar para lá.

Eu cresci com as lembranças de África. As lembranças direitas, cronológicas, contadas pela boca dos meus pais, as memórias fugazes, quase de obturador de câmara, dos meus irmãos.
Quando visitei a África do Sul levava as malas leves mas a cabeça cheia da falta que os meus pais ainda sentem. 
Ao voltar, tinha deixado de ser quem era, também em mim a perda se instalou definitivamente.

Desde o dia em que ouvi a mensagem, acordo com o cheiro da terra a sul do planeta.
É uma história que me chama, pedindo que a termine. Ou que a comece sem mais parar. 
Um verdadeiro Milagre.
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