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Alguém muito sábio dissera-lhe uma vez “todos nós temos uma criança cá dentro que vale a pena preservar”. A frase confortara-a. Agora faziam sentido todos os momentos em que se permitia ser menina. Nesses, maravilhava-se com coisas tontas, comovia-se com a dimensão da lua cheia, tirava os saltos e pulava no jogo da macaca. 
Ela gostava. Gostava muito de se sentir miúda.
Nessa noite, as luzes acenderam-se espalhando brilhos de estrelas baixas pela cidade. A voz dela, adulta, disse-lhe “são menos bonitas”. A voz de criança, agarrada ao coração, respondeu: “são as luzes de Natal; isso é que faz bonito”. A boca não resistiu ao desenho do sorriso, os olhos transformaram-se em conta-gotas de felicidade. Aconteceu. Seria assim do primeiro ao último dia da época. Exactamente como todos os anos.

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